Jornada de Trabalho: Lula propõe solução negociada entre trabalhadores e empresários
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, na noite desta terça-feira (3), que a proposta de lei para o fim da escala 6×1 seja elaborada de forma conjunta entre trabalhadores, empresários e o governo. A declaração foi feita durante a abertura da Segunda Conferência Nacional do Trabalho, realizada no Anhembi, que segue até o dia 5.
Lula destacou que o diálogo tripartite é o caminho mais vantajoso para os trabalhadores e alertou sobre o risco de deixar o tema exclusivamente nas mãos do Congresso Nacional do Brasil.
“É melhor vocês construírem negociando do que terem que engolir uma coisa vinda do Congresso e depois recorrer à Justiça do Trabalho”, afirmou o presidente.
O chefe do Executivo reiterou que o governo não pretende se alinhar a nenhum dos lados na discussão.
“Não iremos prejudicar os trabalhadores, nem contribuir para o prejuízo da economia brasileira. Queremos encontrar uma solução bem pensada e harmonizada”, disse.
Jornada diferenciada por categoria
Lula também defendeu que a jornada de trabalho seja adaptada conforme as especificidades de cada categoria profissional.
“Pode haver uma regra geral, mas, na hora de regulamentar, será necessário olhar para cada setor”, afirmou.
O presidente ressaltou ainda que o objetivo é garantir mais qualidade de vida, permitindo que os trabalhadores tenham tempo para estudar, descansar e estar com a família.
Projeto de redução da jornada e resistências
A proposta de redução da jornada de 44 para 40 horas semanais — uma das principais bandeiras do movimento sindical — enfrenta resistência do setor produtivo, que teme aumento de custos e repasses ao consumidor.
Durante o evento, o presidente esteve acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin e dos ministros Luiz Marinho, Fernando Haddad e Simone Tebet.
Tebet manifestou apoio explícito ao fim da escala 6×1.
“Dizer que o Brasil vai quebrar com o fim da escala 6×1 é não conhecer a realidade do país. Falta apenas boa vontade para sentar à mesa e garantir dignidade a todos os trabalhadores”, declarou, citando estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que apontam viabilidade para a medida.
Engajamento social e produtividade
O ministro Haddad defendeu o engajamento da população no debate sobre o tema, destacando a importância de pensar o uso do tempo livre e o aumento da produtividade.
“Temos que pensar em como utilizar a força de trabalho e agregar valor à produção. Precisamos olhar para os países que superaram o subdesenvolvimento e nos inspirar nesses exemplos”, afirmou.
Já o ministro Luiz Marinho reconheceu que a redução da jornada pode gerar impacto nos custos empresariais, mas ressaltou os ganhos sociais.
“Seguramente pode melhorar o ambiente de trabalho e a qualidade de vida das pessoas. Precisamos apostar em produtividade, tecnologia e no prazer de trabalhar”, defendeu.
Fonte: Radio Peão Brasil





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