FEDERAÇÃO DOS METALÚRGICOS DO ESTADO DE SÃO PAULO 

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Cláudio Magrão  - Secretário Geral da Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo

e Vice-Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região

Somar ou dividir?

É natural que governos tenham de mudar ou reformar de tempos em tempos, estruturas políticas e econômicas que regulam a sociedade como um todo. No entanto, o que o atual governo vem fazendo não aponta em nada e em nenhum aspecto, que esteja em busca de melhorias para a maioria da população trabalhadora do país. 

Ao contrário, através de medidas que demonstram claramente uma lógica inversa que, ao nosso ver, serve apenas a elites que controlam o Mercado e nada mais, o governo não tem demonstrado nenhum avanço no que diz respeito ao bem estar da população.

É impossível acreditar, por exemplo, que a proposta apresentada pelo executivo e já vitoriosa pelo Legislativo, de uma Reforma da previdência Social possa vir a beneficiar qualquer trabalhador ou garantir o futuro das novas gerações. É impossível crer que mudanças na Legislação Trabalhista que retiram direitos conquistados durante décadas pelos sindicatos e trabalhadores irão proporcionar uma sociedade mais justa. É completamente fora de questão que o desmonte da seguridade social ou da educação pública, possa ser algo que vá favorecer aqueles que mais precisam.

Entre tantas impossibilidades e propostas nocivas, o atual governo que está no poder há apenas seis meses e já demonstrou claramente a serviço de quem veio. Destruir as estruturas da sociedade ou do Estado que possam garantir quaisquer meios de benefício social é o foco de banqueiros e detentores do grande capital e é apenas a estes que este governo está servindo.

O discurso governamental que polariza cada vez mais a sociedade não é à toa. Quanto mais divididos estivermos, menos teremos capacidade de reação.  Lavar as mãos ou apenas ficar atacando os que votaram neste governo não parece ser a saída. É preciso, mais do que nunca, buscarmos entender, esclarecer, somar muito mais do que dividir. Caso contrário corremos o sério risco de estarmos colaborando com a destruição de tudo o que conquistamos até hoje.

Os Sindicatos e o Caos da Política Brasileira

Estamos vivendo tempos de difíceis previsões ou planejamentos. Democraticamente, o atual governo chegou ao Poder prometendo um país melhor, o que é bastante natural em qualquer governo. No entanto, a realidade já se mostra bem distante da propaganda eleitoral e da urgência que o país precisa para voltar a crescer. Nunca um governo, de esquerda, centro ou direita,  se mostrou tão despreparado e inapto para lidar com nossos problemas.
É inegável que as soluções para as graves questões que estão colocadas não se resolveriam em apenas 5 meses de mandato. No entanto, o que mais exaspera todos os setores sociais é a absoluta falta de projetos e o flagrante despreparo em todas as áreas. A cada dia, novas trapalhadas se acumulam. Declarações irresponsáveis da presidência se contradizem o tempo inteiro com seus ministérios; enfrentamentos inúteis que vão desde a área internacional ao relacionamento com o Congresso Nacional, demonstram uma absoluta incapacidade de governar e assim vamos assistindo o país se atolar em mais uma crise de caráter institucional e, naturalmente, econômica.
Milhões de trabalhadores desempregados esperam por uma vaga no mercado de trabalho. Outros milhões já nem esperam mais e buscam sobreviver de qualquer maneira. Grandes empresas demitem a força de trabalho, não investem. Médias e pequenas empresas, que sempre foram as que mais empregaram no Brasil, fecham suas portas e a cada dia os dados sócio-econômicos  pioram. O setor financeiro é, sem dúvida, o único que demonstra crescimento. Mas devemos ter claro que nenhuma economia se sustenta apenas em cima de juros, sem que haja produção de nada.
Diante de tal realidade o que resta ao movimento sindical? O que pode fazer uma estrutura que vem sendo demolida com total intensidade pelo atual governo e, principalmente após a Reforma Trabalhista? 
Se existe algo de positivo nisso tudo é que diante do iminente caos sempre existe a possibilidade de coisas novas surgirem com mais força, organização e capacidade de atuação. É assim que devemos encarar nosso trabalho com os sindicatos e outras entidades de representação que legitimamente lutam pela manutenção e avanço de direitos.
Saberemos resistir e já estamos resistindo. Este não é o primeiro nem o último momento de crise pelo qual passamos ou passaremos. E, como sempre, será com novos projetos e novas estratégias que a estrutura sindical no Brasil sobreviverá. Sem esperar nada de governos, nosso futuro está e sempre esteve em nossas mãos.

Participação pelos nossos Direitos!

Estarmos juntos ao nosso sindicato é cada vez mais necessário. Essa é a única forma de protegermos nossos direitos que têm sido cada vez mais atacados pelo atual governo. Estamos em mais um momento de Campanha Salarial e a participação de todos nas assembleias e nas atividades do Sindicato é o que poderá garantir nossa Convenção Coletiva e nossos direitos como metalúrgicos, conquistados ao longo de muitos anos e muitas lutas.

O país passa por mais um momento delicado em sua economia e, novamente, patrões e governo unidos pedem que os trabalhadores paguem as contas. Não podemos mais aceitar essa situação de salários cada vez menores, de desemprego, de medo que sucessivos governos nos impõem para nos manter quietos e desorganizados. É hora de, definitivamente, estarmos unidos e garantirmos uma vida mais digna para todos nós.

Vamos fazer desta Campanha Salarial um momento de reação e de luta por melhorias em nosso presente e para o futuro. Se nos mantermos calados ou apenas reclamando seja lá do que for não chegaremos a lugar algum. Mas se nos mantermos juntos, através de nossos sindicatos, fábrica por fábrica e coletivamente, temos a possibilidade de avançarmos como trabalhadores e cidadãos. Do contrário, continuaremos perdendo nossos direitos e apenas dando lucro aos patrões. Não é hora de reclamar e sim de participar!

Seu sindicato é o caminho!

Em meio a tantas discussões e mudanças no que diz respeito ao mundo do trabalho no Brasil nos últimos tempos, apenas uma coisa é certa: os trabalhadores e trabalhadoras têm sido vítimas constantes tanto dos patrões como do governo. A cada mudança nas leis trabalhistas, a cada alteração na legislação, temos assistido um verdadeiro desmonte nos direitos dos trabalhadores e, consequentemente, uma precarização cada vez maior nas condições de trabalho que vão desde a perda de renda até o desamparo legal.

O maior destes golpes é a própria Reforma da Previdência Social.  Com um modelo já bastante injusto anteriormente, a chamada Nova Previdência tratou de piorar as condições de aposentadoria para aqueles que sempre acabam pagando a conta: os trabalhadores do setor privado.  Mais uma vez, a penalização está sobre aqueles que mais trabalham, mais produzem e que ganham menos.

Por outro lado, propostas de flexibilização nos direitos trabalhistas, assim como a tal da “Carteira Verde e Amarela” , o próprio desmonte da Justiça do Trabalho e os duros golpes nos sindicatos colocam os trabalhadores em uma situação de difícil defesa. É claro, não podemos esquecer do grave quadro de desemprego e sub emprego existente no país e que fragiliza ainda mais as aspirações de uma vida mais digna e tranquila aos trabalhadores.

Diante desse quadro, precisamos insistir que os sindicatos continuam sendo a única alternativa de resistência para a classe trabalhadora. Se não nos dermos conta, rapidamente, de que apenas coletivamente teremos força para enfrentarmos aqueles que só visam lucros cada vez maiores, continuaremos a perder direitos cada vez mais até chegarmos ao ponto de termos de negociar com os patrões de forma individual e aí sabemos bem quem tem mais força. Participar, fortalecer, estar junto a seu sindicato é o caminho. Fora dele, cada trabalhador não passa de mais uma peça de reposição nas mãos do patrão e do governo.