Manter a mobilização pelos 7,7% e pelo fim do fator previdenciário

Por Paulo Pereira da Silva.

Paulo Pereira da Silva, Paulinho,
Presidente da Força Sindical.

O movimento sindical brasileiro e os aposentados alcançaram uma vitória histórica dias atrás quando a Câmara dos Deputados aprovou o projeto do reajuste de 7,7%, a ser aplicado sobre os benefícios superiores a um salário mínimo. O índice foi estabelecido por meio de emenda de minha autoria.

Ao mesmo tempo, os deputados deram um fim  no fator previdenciário, mecanismo que aumenta o tempo de trabalho para a pessoa se aposentar e, além disso, reduz em 40% o valor do benefício.

Nossa expectativa é que o Senado também aprove o projeto e que o presidente Lula leve em conta as eleições deste ano no momento em que se decidir sobre se aprova ou não o aumento dos proventos e o fim do famigerado fato previdenciário.

A Câmara votou por unanimidade, e o Senado também votará por unanimidade. Tenho certeza que o presidente Lula não vai brigar com os aposentados, com a Câmara, com o Senado, por causa de R$ 600 milhões.

E outra coisa importante: ao invés de conceder incentivos às empresas, o governo deveria dar aumentos aos aposentados que trazem mais benefícios à população e à economia. Na verdade, o impacto fiscal é pequeno se for comparado com os cortes de   impostos feitos pelo governo para enfrentar a crise econômica em 2009, que chegaram a 20 bilhões de reais, e com a especulação  financeira.

Por enquanto, o movimento sindical, as entidades ligadas aos aposentados e os trabalhadores em geral têm de manter a mobilização para que o projeto dos 7,7% seja aprovado pelo Senado e sancionado pelo presidente Lula, sem o veto ao item que trata do fim do fator previdenciário.

Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, é Presidente da Central Força Sindical e Deputado Federal (PDT- SP)

(*) Presidente da Força Sindical e deputado federal (PDT/SP). Publicado originalmente pela Folha de S.Paulo, na coluna Tendência/Debates (27).